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Temos acompanhado ao longo
dos anos toda a polêmica em torno do tema "lixo": o
Brasil produzindo 240.000 toneladas de lixo por dia e, com o
reflexo do desemprego e da miséria, os catadores de lixo se
multiplicando a cada dia em condições insalubres. E nunca se
discutiu este assunto com tanta freqüência e profundidade
como nestes últimos anos.
Foram criados inúmeros programas voltados ao meio ambiente, e
ligados ao problema do lixo. Programas de coleta seletiva,
coleta diferenciada, resíduos sólidos, resíduos
domiciliares, resíduos hospitalares, etc..., nomes que evocam
um mundo melhor, mais saudável, mais limpo e sempre
relacionado à geração de emprego e renda.
Sempre buscou-se satisfazer nestes programas as premissas de :
Qualidade de vida
Respeito ao ser humano
Geração de emprego e renda
Desenvolvimento de uma cultura de respeito ao meio ambiente
A participação popular sempre foi vista como algo natural, e
imposta através de regras básicas em todos os programas.
Constatamos, entretanto, que a maioria dos programas têm
naufragado. Onde está o erro então???
Não foram leigos que escreveram estes programas mas, na sua
maioria, gente muito bem preparada: engenheiros sanitaristas,
mecânicos ou civis, arquitetos, administradores, alguns
inclusive com mestrado e doutorado nas suas áreas. Onde
estariam errando então???
Porque a maioria dos programas começa bem e acaba
naufragando???
Foi exatamente deste ponto que começamos a nossa análise.
Já conhecíamos a maioria dos programas, as pessoas
envolvidas, as técnicas de construção dos programas e de
manejo dos resíduos. Onde estava a falha???
Pudemos então perceber que a maioria dos programas não
falham, "o que acaba é o combustível". E o
combustível está nas pessoas, no homem, que é o
responsável por qualquer transformação desde que o mundo é
mundo.
É, portanto, neste ponto que pretendemos tocar, no homem, no
ser. Não somente o ser humano mas o ser responsável, capaz,
que existe em cada um de nós. Este é o SER que queremos
despertar e fortalecer.
Tratar os "lixos" que carregamos e aprender como
recicla-los, aprofundando a discussão deste tema numa
abordagem mais pessoal fazendo com que saibamos exatamente
qual a nossa responsabilidade conosco e com o mundo que nos
cerca.
A peça principal de qualquer processo é o homem, e é com
ele que nos preocupamos.
É o "auto conhecimento" que proporciona ao
indivíduo a condição de discernimento sobre o certo e o
errado, e sobre qual o seu grau de responsabilidade e
competência nos programas dos quais venha a participar. Ele
desperta o auto-respeito e mostra com clareza qual a real
importância do indivíduo dentro da sociedade em que está
inserido.
Num projeto de Gestão Ambiental, achamos fundamental,
portanto, um treinamento onde são abordados não somente os
vários aspectos técnicos do tratamento dos resíduos, mas
onde são feitos também uma série de exercícios e
vivências, a fim de despertar este lado responsável e capaz
de cada um dos participantes.
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